DESCAMANDO

quinta-feira, outubro 25, 2007

Existe vida após a morte.

Não nascemos pra ficar sozinhos. Nessa busca da "pessoa" que nos completa vivemos situações dolorosas, felizes, erradas, certas, temporárias.


Tempos atrás acreditei ter encontrado esse "alguém", maior que tudo que já havia sido vivido. E o engraçado é que tudo começou despretensiosamente. Mas com o passar do tempo tomou conta de todo meu ser.


Só que não estava livre. Estava ao meu lado, mas não comigo. E isso doia tanto, me fazendo acreditar numa incompetência, ou num castigo divino. Pra que encontrar se não fui encontrada?


Insisti muito tempo nisso até que a fatídica gota d'água caiu no copo. Até que vi a fortaleza ruir em lágrimas por não conseguir se curar da maldição que nos impedia a felicidade. Vi então que não fazia sentido algum seguir com isso. Algo muito precioso embaçou aqui dentro. Deixando turva minha visão e meus sentimentos.


E nessa cegueira parcial encontrei o erro, vivi o erro, e até sonhei que seria a chave pra tirar de dentro de mim tanto amor. Mas não adiantou.


Daí veio uma segunda fase, aquela do arrependimento, da dor e da vontade de apagar tudo e voltar até aquele ponto que me doia, mas ainda assim me fazia feliz. Só que enquanto eu errava, o seu coração já liberto da maldição, passou a enxergar de forma tão turva quanto o meu. E pensou ver um oásis.


Daí eu já refeita da minha cegueira não era mais vista pelo meu amor. Que até hoje acredita que aquela visão turva que teve era a sua felicidade.


Tempos se passaram e finalmente nos enxergamos, nos entregamos, e nos permitimos ser felizes.
Mas fantasmas rondaram e nos desviaram um pouco desse caminho lindo que enxergávamos a nossa frente. Foi aí que errei, quando deveria segurar na mão do meu amor e enfrentar a aparição juntas, eu fui tomada pelo medo. Medo de voltar a sentir toda aquela dor de antes, de mais uma vez ficar invisível, de viver uma relação a três. Sentindo sempre a presença do fantasma entre nós.


Estraguei tudo e é isso que mais me dói. Lutei por anos e quando já tinha conquistado a vitória, não soube dar a prova final de que esse amor é maravilhoso e merece ser vivido.


Matei tudo.


Agora rondo por jardins secos, tomados por ervas daninhas. Puxo o ar pra respirar mas ele vem pesado, proveniente da morte que toma tudo no meu jardim.


Rondo e choro, talvez acreditando que minhas lágrimas irão adubar o solo e de lá brotará a primeira flor. Aquela que me fará acreditar, que juntas poderemos arar a terra, trabalhar, sonhar e construir o nosso jardim. Livre de fantasmas e recheado de sonhos realizados, momentos felizes, planos postos em prática. Recheado de tudo aquilo que a certeza me diz que já iríamos viver, e que matamos num prazo de 5 dias. Deixando desolados nossos corações.



Fomos transformadas em duas pessoas que se amam e que não conseguem viver esse amor. Mas sei que em meio aos galhos secos, vive forte e encantadora a flor que despertará nossa vontade de lutar.



terça-feira, julho 24, 2007

Vamos ser crianças?




Sempre irei chorar como criança toda vez que tiver medo, porque não tenho vergonha de ser criança nesses momentos.

É tão bom ver como elas agem. Elas choram se não gostam, se sentem dor, se se assustam, se tem fome, elas simplesmente choram e zeram o que tinha de ruim.

Continuam puras e leves, porque choram. Sem vergonha e sem disfarces, abrem o berreiro pro mundo, estravazam as dores e angústias(que nem entendem que tem).

Vamos ser crianças?
Crianças na pureza e na atitude verdadeira.

Vamos ser mulheres?
Mulheres na vida e na cama.

Vamos ser amores?
Amores no corpo e na alma.

Vamos ser felizes?
Felizes nesta vida e nas que virão.


Carta para meu outro eu




Quero falar dessa tal "nova vida" que começou. Ela será mais fácil, mais leve.
Sabe quando a ladeira é muito mais ígreme, mas mesmo assim conseguimos subir com mais facilidade do que anos antes?

Afinal agora temos um melhor condicionamento físico.

Será mais fácil, porque estaremos juntas, na mesma direção, de mãos dadas. E quando uma de nós sentir cansaço a outra será guia, mesmo que por poucos passos. Apenas o suficiente para uma troca de olhares e um sorriso, e assim nossa respiração, esperança e confiança se restabelecem para seguirmos em frente. Nunca precisaremos "rebocar" a outra, esses pequenos gestos serão apenas o 'start' pra lembrarmos dos nossos sonhos e encontrarmos lá dentro a enorme força que temos, e que por vezes não acreditamos.

Antes parecia mais difícil, é que talvez tivéssemos ao nosso lado pessoas lindas, que nos amaram, que torciam por nós, mas que queriam seguir uma trilha paralela. Não era culpa delas, nem nossa. Cada um tem seus próprios sonhos e seus caminhos. E por vezes numa subida alguém nos segurou, nos fez perder o passo e desconcentrar. Outras vezes nos puxaram de volta no sentido contrário, e acabamos voltando para um ponto que já estivemos, ficando cansadas e desmotivadas pra subir novamente.

Escrevendo agora lembro perfeitamente das minhas companheiras que muito me ajudaram mas que em determinado ponto começamos a ser um peso no caminho da outra. Mas reconheço que sem elas eu não teria conseguido seguir por um grande trecho dessa estrada.

Mas entender que a partir daquele ponto é melhor separar pra que as duas alcancem seus objetivos é difícil. Já tive uma caso que só me fez voltar, e voltar, e voltar. E cheguei tão cansada e triste ao ponto que retrocedi, que devo muito a quem me pegou pela mão da última vez e de como nos ajudamos a subir até aqui, que é o ponto mais alto que já cheguei.

Mas a partir daqui somos nós duas. Juntas, e na mesma direção. Já não estamos mais lá no início, já subimos um monte, e recomeçar daqui tendo caminhado tanto, tendo aprendido tanto, será maravilhoso. Será leve e feliz.


Nunca mais será doloroso como foi no começo, quando tudo doía pela falta de preparo, nunca mais teremos que aprender a forma certa de pisar, caminhar, respirar. Nunca mais bolhas nos pés nem machucados das quedas. Já sabemos isso tudo. Sabemos onde não pisar, como nos vestir, nos cuidar. Mesmo assim cairemos, mas essa experiência de tantos anos não nos deixará dar tanta importância à queda.

Então vamos lá?
Minha mão está aqui, e também preciso da sua.

sexta-feira, julho 20, 2007

TEMPO

Te dou todos os PRESENTEs do mundo.
Para que, depois de PASSADO um tempo,
você perceba que o FUTURO que sonhamos
era muito pouco diante do que virou nossa realidade.


terça-feira, julho 17, 2007

VIDA

E o segredo que tenho
é tão meu e tão nosso
que nem sei se posso
apenas guardar.
.
E o amor que sinto
é tão teu e tão novo
que todo esse povo
irá suspirar.
.
E essa vida que nasce
é tão linda e tão boa
que está Pessoa
conseguiu se encontrar.

sexta-feira, julho 13, 2007

Aceso




Hoje é 13 de julho de 2007.


Ontem ganhei uma festa surpresa de aniversário.

Estou como uma criança. Cheia de tanta felicidade que parece que não vai caber aqui dentro.
Ainda não sei quem sou, mas neste momento sou a música da Adriana Calcanhotto.


ÂMBAR

Adriana Calcanhotto

Tá tudo aceso em mim

Tá tudo assim tão claro

Tá tudo brilhando em mim

Tudo ligado

Como se eu fosse um morro iluminado

Por um âmbar elétrico

Que vazasse dos prédios

E banhasse a Lagoa até São Conrado

E ganhasse as Canoas

Aqui do outro lado

Tudo plugado

Tudo me ardendo

Tá tudo assim queimando em mim

Como salva de fogos

Desde que sim eu vim

Morar nos seus olhos

quinta-feira, julho 12, 2007

Meus 35 anos



Já quase 6 da manhã e eu, a dona da festa, esperava o nascimento de outro canceriano do dia 08. Naquela espera gelada da madrugada, eu estava ansiosa pra conhecer meu novo companheiro. Foi demorado o parto, mais de 40 minutos. Até que ele chegou me cegando com tanta luz e me deixando em êxtase com sua beleza.

Era o MEU SOL, o sol do dia do meu aniversário.

Entre galos cantando e ruídos da manhã, éramos só nós dois a nos olhar. Mal nos vimos e já éramos íntimos. Enquanto a Lua(que rege minha vida e meu signo) descansava em algum outro ponto do mundo, eu e MEU SOL cantamos parabéns.

Parabéns pela vida, pela saúde, pelo amor, pela honestidade.

Seja bem vindo meu amigo Sol, foi muito bom tê-lo como companheiro no nascer da minha nova vida.



domingo, janeiro 14, 2007

Espelhos


A Casa dos espelhos vazia me dava a sensação de não estar só.
Cercada por todas as faces de mim eu me desconhecia.
E quando correndo cheguei ao lado de fora, me encontrei refletida
na estreita vitrine da vendedora de rosas.

terça-feira, dezembro 26, 2006

Meu pai e eu

Era no chiqueirinho do fusca dele que eu, aos 3 anos de idade, me escondia pra não descer do carro e ir pra escola. Era ele que estava dirigindo a Brasília enquanto eu lia todas as placas na rua na época que eu estava começando a aprender a ler. Quando eu tinha uns 4 ou cinco anos ele estava de férias e algumas vezes íamos apenas nós dois a praia no meio da semana. Ele guardava minhas roupinhas, pazinhas e brinquedos, e na volta me arrumava direitinho tirando a areia e arrumando meu cabelo antes de entrar no carro.
Foi meu pai que estudou português comigo para a prova de seleção de um disputado colégio. Deve ter ficado feliz da filha de 7 anos ter passado em primeiro lugar(pois é, já fui boa aluna um dia, hehehe).
Ele nunca pôde me dar as duas bicicletas que ganhei, mas por sorte tenho duas irmãs que eram adultas e podiam me dar os presentes. Mas foi ele que me ajudou a arrumar as rodinhas na primeira bicicleta. E também, aos meus 9 anos, num dia de natal, enquanto a minha irmã estava de plantão no hospital, foi comigo ao local que ela pediu pra que fossemos pegar meu presente. Ela deixou com uma amiga e havia me avisado que era uma pequena caixinha, passei 3 vezes pela bicicleta vermelha e quase fiquei sem pernas quando ele finalmente disse que era aquele meu presente.
Na adolescência era dele o olhar que mais me fazia sentir vergonha por estar repetindo o ano. E o engraçado é que tanto ele quanto minha mãe continuavam apostando em mim, mesmo sob críticas de todos e novas frustrações ao perceberem que mesmo acreditando em mim eu voltava ao mesmo erro.
Foi através do amor deles que eu consegui sobreviver a mim mesma. E descobrir a Patrícia que ele sempre soube que existia. A persistência deles me fez chegar até aqui.
Foi ao lado da cama dele no hospital que fiquei todos os dias enquanto estive em Fortaleza relembrando essas pequenas coisas. Descobri que a maior parte dos momentos felizes que vivi com meu pai foi nos fins de tarde, sentada ao lado dele enquanto ele dirigia pra casa depois da minha aula e de mais um dia de trabalho como professor que foi por mais de 50 anos. Era quando comíamos o pão quentinho que pegávamos na padaria, e eu cantava a música que tocava no rádio.
Esse ano, já bem doente, a maior alegria dele foi saber que eu finalmente havia comprado o meu lugar(o maior medo dele era sair daqui e não ver isso). Não conseguimos nos falar ao telefone mais, mas ele soube de tudo e se sentiu realizado através desse pequeno sonho brasileiro.
Saudades pai. Obrigada por tudo. Obrigada pelo amor, pela torcida e por sempre ter acreditado em mim.

Sua filha que sempre vai te amar.

Patrícia Pessoa

FRANCISCO PESSOA PEREIRA
04 DE JULHO DE 1916 - 15 DE JUNHO DE 2006

sexta-feira, novembro 24, 2006

Máscara


Era a minha forma de mostrar
como eu te seguia sem ser vista
Escondida por outro nome
e uma capa de medo e desejo
Era a sombra da minha vontade
espreitando meu sonho
Até que um dia a luz da vontade
mostrou o verdadeiro rosto do amor
O meu

quarta-feira, outubro 11, 2006

O Outro Lado



Isso talvez tenha me feito andar tanto
O mais engraçado é que tenho acertado
Pelo menos por enquanto minhas caminhadas foram válidas
Não me canso de olhar o mapa nem de imaginar novas fronteiras
Chego a sentir os cheiros nas fotos que ainda nem fiz
Por instantes quase lembro do reflexo do sol na água do lago
Reflexo que bateu no meu olho e me chamou atenção
Mas não sei onde fica isso, nem quando estarei lá
Caminho por entre pessoas, ouvindo novos sons
Molhando meu sapato na água da chuva que já parou de cair
Tenho pressa disso tudo
Mas tenho calma pra esperar

sábado, setembro 16, 2006

Desejo


aqui estou eu cambaleante
por corredores de concreto
amolecendo estruturas
que seriam inabaláveis
se não fosse a existência
do desejo

sexta-feira, julho 28, 2006

E...



E que esse infinito de emoções existentes,
diminua a necessidade da presença
E que sendo ausente, seja constante
E que sendo constante, seja latente
Eternamente sentido
Intensamente vivido

quinta-feira, maio 11, 2006

Onde?



Sei que não sou daqui.
Mas também nunca fui de lá.
Em que lugar do mundo fica meu chão?

sábado, abril 29, 2006

Em poucos minutos irei reencontrar aquilo que conheci em janeiro do ano passado.
Sei que não será fácil, nem rápido.
Mas estou indo.
Vou buscar a energia daquele vale.
Vou pedir à Deus que permita que um pouco dessa energia e luz chegue até mim.
Estou indo sem aviso e sem ninguém.
Vou chegar e espero que as abençoadas estrelas ainda estejam lá.
E que delas eu receba as boa vindas.
Talvez veja algumas caindo e até permita, pretensiosamente, imaginar que estariam querendo vir me acompanhar.
Sei que encontrarei os mesmos bons corações de sempre.
Os mesmos olhos que me olham com carinho e cuidados.
Espero que ao dormir sinta aquela paz interior que me faz mais segura.
E ao acordar, ouça as vozes, os risos, as histórias.
Sinta os cheiros e quase fique tonta com as cores.
Vou respirar fundo e recomeçar.
Vou voltar ao ponto que parei um tempo atrás.
Agora já conheço um pouco mais dos mistérios da vida.
Mas também sei que isso é tão pouco.
Quero vocês, anjos de luz que me cuidam e me acompanham em meio àquelas montanhas.
Quero as rochas, os rios, o verde, o sol.
Todos em mim.Para que eu possa refletir tudo de bom que Deus me dá quando chego lá.


quarta-feira, abril 26, 2006

Luz

Enfim a luz apareceu
Como um farol a me guiar
Me mantenho concentrada para não perdê-lo
A névoa e as sombras podem me cegar novamente
Não vou desistir tão fácil
Anjos e seres de luz me guiam por um caminho de paz
Mas vejo sombras rondando
Ficam a espreita esperando por uma chance
Persisto na vigília e sigo em direção à luz
A luz da liberdade e do amor
Será que um dia aprenderei a mantê-la acesa?


segunda-feira, abril 24, 2006

Dor

E esse vazio?
Deve ser a dor que invadiu tudo
e expulsou minha pele, meus olhos, meus ouvidos.
Mas me deixou a garganta.
Só que nela seguro o grito e tudo parece piorar.
Me explique como não chorar.
Como faço isso se não existe calor, cheiro, toque?
Não existem sensações.
Só por não ter olhos não significa que não chore.
Choro com o coração e a alma.
Choro de dor e medo.
Choro pela falta de mim mesma.
Me procuro em mim e já nem sei mais o que restou.
Tremo de frio em meio a dor convulsiva que é te perder.

sábado, abril 15, 2006

Triste



Tem dias que não deviam começar
Sensações que não podiam existir
Nem medos que insistem em habitar
Corações que teimam em sentir

Tem notícias que não deveriam nos chegar
Nem tormentas que levem nosso chão
Palavras que possam desgastar
A vida e transformar em ilusão

Tem pessoas que vieram e não chegaram
Palavras que são firmes e sem cor
Poesias que atormentam e não falam
Histórias que não falam de amor

quinta-feira, abril 06, 2006

Zerar

Chutar a pedra que atravessa o contra-passo
Pular a linha da calçada que quebra nosso ritmo
Mudar o trajeto engarrafado que tortura o fim do dia
Zerar
E recomeçar
Pular a pedra que atravessa o contra-passo
Pisar a linha da calçada e fazer o novo ritmo
Engarrafar a tortura pra mudar o fim do dia
Renovar
E Recomeçar

sexta-feira, março 31, 2006

Vermelho V



Vermelho vivo
VB
Vermelho Vil
VB
Cor quente
VB
Letra febril


Vermelho fogo

Vermelho V

Vulcão e vida

Todos você

Verborragia

Explosão

Sangue

Raça

Coração



São teus vermelhos

Juntos em V

Bifurcação

Pr'onde correr?

quarta-feira, março 22, 2006

Ídolo

Era meu ídolo

E como todo ídolo nem me conhecia. Mas geralmente criamos ídolos justamente por não conhecê-los. Esse caso era diferente. Era tema constante de nossas conversas (Vilmara e eu). Engraçado como alguém pode se tornar ídolo assim. Quando pensávamos em exemplo, falávamos dele, quando pensávamos em ser humano evoluído lembrávamos dele e de toda família, quando comentávamos sobre relação exemplar com os filhos, respeito, caráter, sensibilidade, companheirismo, apoio. Lembrávamos dele.

Nos emocionávamos com os pequenos detalhes que a Renata nos contava. De quando ele ligou para alguém para falar o quanto a filha era linda, especial e motivo de orgulho. Quando sabíamos de suas reações sobre assuntos cotidianos. Quando víamos que ele fazia parte de um conjunto muito especial feito por pessoas abençoadas, que se amam acima de tudo, que se apóiam, que demonstram seus sentimentos, que respeitam, que ajudam, que são amigas. Muito especial mesmo essa tal “Família Bortolletto”.

Nos vimos pouquíssimas vezes, mas nunca esqueço a primeira vez. A alegria no sorriso e o brilho no olhar subindo a escada em companhia do neto. Feliz e orgulhoso pelo som que a banda da filha fazia. Lembro que pensei e até fiquei nervosa: “Nossa! O pai da Renata.”

Foi exatamente como aqueles ídolos. Aqueles que nunca vimos pessoalmente e que quando vemos que são de carne e osso sentimos frio na barriga, ficamos tímidos.

Meses atrás numa conversa num parque, eu e a Vilmara elegemos a Renata como uma pessoa mais evoluída que a média. Isso foi antes de estreitarmos os laços e passarmos a fazer parte do seu dia-a-dia. Essa escolha nada mais é do que o reflexo do ambiente e do círculo que ela nasceu.
É importante que tenhamos o entendimento sobre o mundo espiritual. Isso de certa forma nos conforta, mas é claro que não apaga a saudade.
E é tão nítido que os melhores, os mais puros, os verdadeiros ídolos se vão muito cedo. Afinal, somos nós que temos que ficar aqui e aprender muito. Somos nós que temos que continuar e melhorar para que possamos finalmente estar no nosso verdadeiro lugar, e não aqui, neste mundo temporário.

Carlos Bortolletto era meu ídolo, e como todo ídolo nem me conhecia.Mas ao conhecê-lo um pouco mais compreendi o que é ser ÍDOLO.

quinta-feira, março 16, 2006

Matizes


Aqui o dia está mais azul
Muitas flores abrindo segredos
Ontem teve céu estrelado
E até a lua veio mais cedo

Apareceu toda cheia de vida
Doando sua luz dourada
Na janela, a brisa sentida
Nos afagava a alma cansada

Então hoje com o tal céu azul
Acordamos até mais felizes
Brinquei com as cores de tudo
E o choque sutil das matizes

segunda-feira, março 13, 2006

A Vaca Poeta





A vaca poeta
Pesada e discreta
Ficava tão triste
Na fazenda deserta

Mas um lindo dia
Ela leu uma poesia
De uma moça bem linda
Que todo dia escrevia

A moça e a vaca
Trocaram segredos
Amores e sonhos
Tristezas e medos

A vaca poeta
E a moça atleta
Ficaram amigas
E mudaram suas vidas

Hoje vivem felizes
Cada qual no seu canto
A moça e a vaca
Sem susto nem espanto

terça-feira, março 07, 2006

Mudança




O espaço
O ambiente
O novo lar

A vida
O amor
A nova casa

O trabalho
O descanso
O novo canto

A música
A voz
A nova sala

A luz
As cores
A nova vista

O sol
A chuva
A nova rota

O quarto
O chão
A nova arte

O sonho e você
Não é miragem

segunda-feira, março 06, 2006

Magia



O susto, a surpresa, a adrenalina a mil.
Cansei.
Desisto de tentar entender os mistérios e significados da vida
E de querer compreender as surpresas e coincidências.
Isso me desgasta e acabo não curtindo a magia e o milagre.
A partir de agora apenas receberei e armazenarei tais informações.
A única obrigação que tenho é tentar ser receptiva a tudo.
E apenas viver.

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

Destino


Distante de você
Fico perto do nada que existe em mim
Tenho sentido medo de não te reencontrar
E vou esperando o assustador momento
Mas e se você se for?
E se eu não te acompanhar?
E se nos perdermos,
como alguém que perde um trem na estação?
Essa espera me mata
e um vazio povoa meu coração
A saudade já toma conta de tudo
E mantenho meu coração mudo
Parado, quieto, fingindo de morto
Talvez assim eu consiga chegar até você

sexta-feira, janeiro 27, 2006

Diário


Tentar falar em francês
Trocar as palavras
Usar as mãos pra falar contigo
Comemorar um mês
Sair pra jantar
Usar meu sexto sentido
Me despedir ti
Mudar de vida
E conquistar uma nova tribo
Me atrasar outra vez
Pedir desculpas
Assinar minhas loucuras
Sair pela manhã
Quebrar o meu cartão
Ao descobrir que não tenho grana
Chegar e comer maçã
Deitar no sofá
E assistir ao nosso programa
Me libertar do divã
Ter mais sossego
Viajar com quem se ama
Chegar em Pontaporã
Sentir saudade
Correr de volta pra minha cama

quarta-feira, janeiro 25, 2006

TEMPO



Tempo
Espaço entre o início e o fim
Início do dia
Mil pensamentos
Fim do dia
Pensamentos em aberto

Tempo
O ciclo recomeça
Pensamentos pendentes atropelam novos
Termina o dia
Mais pensamentos na prateleira

Tempo(outra tentativa)
Nova remessa chegando
Prateleira lotada
Entregadores correndo
Necessidade de mais espaço

Tempo
Pensamentos guardados(mas não esquecidos)
Anuncio no jornal: ‘Compra-se tempo’
- Produto escasso, aceita troca por pensamentos?
- Impossível, são pedaços de mim

Tempo
Vou no estoque e pego tudo
Transformo, modifico, reciclo
Espaço sobrando
Pensamentos em prática

Ócio

sexta-feira, janeiro 13, 2006

Largo

Hoje fui almoçar no Largo da Ordem. Certas vezes esquecemos as coisas boas que temos na cidade. Que delícia almoçar no Solar do Rosário, depois caminhar no Largo e tomar um café expresso no Depósito da Ordem. O Depósito é um atelier de mosaico, com cursos, peças à venda e um delicioso café. Uma ótima música de fundo e boas revistas pra ler.

Flor de mosaico
Café do solar
Almoço com arte
Sorriso de amar

quarta-feira, janeiro 11, 2006

Verão

Quanto calor me arde sem o repouso da brisa
Quanto suor me encharca sem o retorno da água
De que adianta este clima entre quatro paredes?
Melhor esperar a alforria do sábado

terça-feira, janeiro 10, 2006

Parece que o ano realmente promete coisas boas. Tenho essa sensação que chega quase a ser uma certeza. Sonhos se realizando, planos sendo construídos enquanto já são postos em prática. Boas notícias e bons momentos. Tem sido assim estes primeiros dias. E me vejo cercada de tanta informação, de tantas vontades, de tantos amigos. Dificil não acreditar que tudo vai ser melhor.
Então deixa assim, nada de querer encontrar possíveis problemas, eles existem, mas nos apeguemos à parte boa. Tracem seus planos, seus sonhos, suas vontades. Agora com elas bem nítidas nas nossas mentes e corações sigam até elas, sem olhar para os lados, sem prestar atenção nas dificuldades. Quando nos dermos conta já os teremos conquistado.


Foto: Reveillon 2006 - Rio de Janeiro


DOIS MIL E SEIS

Quanta sede sinto
E me afogo nos planos que tenho
Planos nascendo
Nesse rio de novidades sadias
E tudo recomeça
Numa correnteza rápida
Que me leva para o sonho
E o sonho se mostra
Como o frescor da água
Num dia quente

Patricia Pessoa
Ctba, 10/01/2006
10:28

terça-feira, dezembro 20, 2005

Relatório de atuação



Relatório de atuação

Produto: Patrícia Nunes Pessoa - PP
Status: Viva
Localidade: Terra – América do Sul – Brasil – Paraná – Curitiba
Saldo do ano de 2005: Positivo

Atenção! Mensagem aos acionistas.

Verificamos que após anos de problemas com nosso produto, finalmente conseguimos um retorno completamente positivo do seu desempenho.
O resultado vem como reflexo das ações adotadas nos últimos anos, quando submetemos PP à intensa carga negativa, pesos acima do permitido, situações de risco e periódicas análises de desempenho, onde a cada análise conseguimos consertar alguns defeitos, desgastes e erros de projeto.

Percebemos agora que PP está mais resistente a grandes impactos, e ao mesmo tempo maleável. Conseguimos endurecer sua proteção, mas também torna-la permeável, permitindo assim, uma melhor absorção de todos os bons componentes que constantemente são acoplados à engrenagem a qual PP faz parte.

No decorrer desse ano vitorioso, vários componentes novos chegaram e PP conseguiu interagir de forma harmônica com todos eles, demonstrando até uma melhoria de performance.

Parabéns aos que continuaram apostando nessa proposta.


FIM DE RELATÓRIO