Existe vida após a morte.
Tempos atrás acreditei ter encontrado esse "alguém", maior que tudo que já havia sido vivido. E o engraçado é que tudo começou despretensiosamente. Mas com o passar do tempo tomou conta de todo meu ser.
Só que não estava livre. Estava ao meu lado, mas não comigo. E isso doia tanto, me fazendo acreditar numa incompetência, ou num castigo divino. Pra que encontrar se não fui encontrada?
Insisti muito tempo nisso até que a fatídica gota d'água caiu no copo. Até que vi a fortaleza ruir em lágrimas por não conseguir se curar da maldição que nos impedia a felicidade. Vi então que não fazia sentido algum seguir com isso. Algo muito precioso embaçou aqui dentro. Deixando turva minha visão e meus sentimentos.
E nessa cegueira parcial encontrei o erro, vivi o erro, e até sonhei que seria a chave pra tirar de dentro de mim tanto amor. Mas não adiantou.
Daí veio uma segunda fase, aquela do arrependimento, da dor e da vontade de apagar tudo e voltar até aquele ponto que me doia, mas ainda assim me fazia feliz. Só que enquanto eu errava, o seu coração já liberto da maldição, passou a enxergar de forma tão turva quanto o meu. E pensou ver um oásis.
Daí eu já refeita da minha cegueira não era mais vista pelo meu amor. Que até hoje acredita que aquela visão turva que teve era a sua felicidade.
Tempos se passaram e finalmente nos enxergamos, nos entregamos, e nos permitimos ser felizes.
Mas fantasmas rondaram e nos desviaram um pouco desse caminho lindo que enxergávamos a nossa frente. Foi aí que errei, quando deveria segurar na mão do meu amor e enfrentar a aparição juntas, eu fui tomada pelo medo. Medo de voltar a sentir toda aquela dor de antes, de mais uma vez ficar invisível, de viver uma relação a três. Sentindo sempre a presença do fantasma entre nós.
Estraguei tudo e é isso que mais me dói. Lutei por anos e quando já tinha conquistado a vitória, não soube dar a prova final de que esse amor é maravilhoso e merece ser vivido.
Matei tudo.
Agora rondo por jardins secos, tomados por ervas daninhas. Puxo o ar pra respirar mas ele vem pesado, proveniente da morte que toma tudo no meu jardim.
Rondo e choro, talvez acreditando que minhas lágrimas irão adubar o solo e de lá brotará a primeira flor. Aquela que me fará acreditar, que juntas poderemos arar a terra, trabalhar, sonhar e construir o nosso jardim. Livre de fantasmas e recheado de sonhos realizados, momentos felizes, planos postos em prática. Recheado de tudo aquilo que a certeza me diz que já iríamos viver, e que matamos num prazo de 5 dias. Deixando desolados nossos corações.
Fomos transformadas em duas pessoas que se amam e que não conseguem viver esse amor. Mas sei que em meio aos galhos secos, vive forte e encantadora a flor que despertará nossa vontade de lutar.

































