Carta para meu outro eu
Quero falar dessa tal "nova vida" que começou. Ela será mais fácil, mais leve.
Sabe quando a ladeira é muito mais ígreme, mas mesmo assim conseguimos subir com mais facilidade do que anos antes?
Afinal agora temos um melhor condicionamento físico.
Será mais fácil, porque estaremos juntas, na mesma direção, de mãos dadas. E quando uma de nós sentir cansaço a outra será guia, mesmo que por poucos passos. Apenas o suficiente para uma troca de olhares e um sorriso, e assim nossa respiração, esperança e confiança se restabelecem para seguirmos em frente. Nunca precisaremos "rebocar" a outra, esses pequenos gestos serão apenas o 'start' pra lembrarmos dos nossos sonhos e encontrarmos lá dentro a enorme força que temos, e que por vezes não acreditamos.
Antes parecia mais difícil, é que talvez tivéssemos ao nosso lado pessoas lindas, que nos amaram, que torciam por nós, mas que queriam seguir uma trilha paralela. Não era culpa delas, nem nossa. Cada um tem seus próprios sonhos e seus caminhos. E por vezes numa subida alguém nos segurou, nos fez perder o passo e desconcentrar. Outras vezes nos puxaram de volta no sentido contrário, e acabamos voltando para um ponto que já estivemos, ficando cansadas e desmotivadas pra subir novamente.
Escrevendo agora lembro perfeitamente das minhas companheiras que muito me ajudaram mas que em determinado ponto começamos a ser um peso no caminho da outra. Mas reconheço que sem elas eu não teria conseguido seguir por um grande trecho dessa estrada.
Mas entender que a partir daquele ponto é melhor separar pra que as duas alcancem seus objetivos é difícil. Já tive uma caso que só me fez voltar, e voltar, e voltar. E cheguei tão cansada e triste ao ponto que retrocedi, que devo muito a quem me pegou pela mão da última vez e de como nos ajudamos a subir até aqui, que é o ponto mais alto que já cheguei.
Mas a partir daqui somos nós duas. Juntas, e na mesma direção. Já não estamos mais lá no início, já subimos um monte, e recomeçar daqui tendo caminhado tanto, tendo aprendido tanto, será maravilhoso. Será leve e feliz.
Nunca mais será doloroso como foi no começo, quando tudo doía pela falta de preparo, nunca mais teremos que aprender a forma certa de pisar, caminhar, respirar. Nunca mais bolhas nos pés nem machucados das quedas. Já sabemos isso tudo. Sabemos onde não pisar, como nos vestir, nos cuidar. Mesmo assim cairemos, mas essa experiência de tantos anos não nos deixará dar tanta importância à queda.
Então vamos lá?
Minha mão está aqui, e também preciso da sua.

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